DIU ou implante: diferenças para decidir

DIU e implante são métodos contraceptivos de longa duração e alta eficácia, mas funcionam de formas diferentes. O DIU fica dentro do útero e pode ser de cobre (sem hormônio) ou hormonal, enquanto o implante é uma pequena haste colocada sob a pele do braço que libera hormônio. A escolha costuma passar por três perguntas: quanto tempo você quer de proteção, como prefere que fique a menstruação e se pode ou quer usar hormônio.

DIU e implante hormonal: métodos contraceptivos.

Como agem o DIU e o implante

DIU de cobre

É um pequeno dispositivo em forma de T, revestido de cobre, colocado dentro do útero. O cobre cria um ambiente que prejudica a movimentação e a sobrevivência dos espermatozoides, impedindo a fecundação. Não tem hormônio, então não interfere na ovulação. Os detalhes de prós e contras estão no artigo sobre vantagens e desvantagens do DIU de cobre.

DIU hormonal

Também fica no útero, mas libera aos poucos levonorgestrel, um progestagênio. O hormônio age principalmente no local: deixa o muco do colo do útero mais espesso e afina o endométrio. Por agir sobretudo dentro do útero, a quantidade que chega ao restante do corpo é pequena. Há modelos com doses e tamanhos diferentes, e o artigo sobre o DIU hormonal Mirena explica o funcionamento em mais detalhes.

Implante

É uma haste fina e flexível, do tamanho aproximado de um palito de fósforo, colocada sob a pele da parte interna do braço. Ela libera etonogestrel, outro progestagênio, que inibe a ovulação. Diferente do DIU, o implante age no corpo todo, porque o hormônio é absorvido pela corrente sanguínea.

Duração e retorno da fertilidade

Os três métodos duram anos, e nenhum depende de lembrar de tomar algo todos os dias.

Método Hormônio Duração prevista em bula
DIU de cobre Não Varia conforme o modelo, chegando a cerca de 10 anos nos modelos mais usados
DIU hormonal Levonorgestrel, com ação principalmente local Varia conforme o modelo, em geral alguns anos
Implante Etonogestrel, com ação no corpo todo Cerca de 3 anos

A duração exata é a definida pela bula de cada produto, e a ginecologista informa o prazo do modelo que for usado no seu caso. O método pode ser retirado antes, a qualquer momento, se você quiser engravidar ou trocar de método.

Sobre a fertilidade: nos três casos, a capacidade de engravidar costuma voltar logo após a retirada, sem necessidade de um período de espera. Isso é diferente do anticoncepcional injetável trimestral, em que o retorno pode demorar mais. Ou seja, nem o DIU nem o implante “atrasam” uma gravidez futura.

Efeitos na menstruação

Este costuma ser o ponto que mais pesa na decisão, porque cada método tem um padrão diferente.

  • DIU de cobre: o ciclo continua natural, com ovulação. Algumas mulheres têm aumento do fluxo e das cólicas, principalmente nos primeiros meses. Para quem já tem menstruação muito intensa ou cólica forte, pode não ser a primeira opção.
  • DIU hormonal: tende a reduzir o fluxo e as cólicas. Nos primeiros meses pode haver escape (pequenos sangramentos irregulares). Com o tempo, muitas mulheres passam a menstruar pouco, e algumas param de menstruar, o que não faz mal à saúde.
  • Implante: o padrão de sangramento é o mais imprevisível. Pode haver ausência de menstruação, sangramentos raros, sangramentos frequentes ou prolongados. Esse padrão irregular é o motivo mais comum de retirada antecipada.

Vale lembrar que mudanças no sangramento não significam que o método está falhando, mas qualquer sangramento muito intenso, dor forte ou alteração persistente deve ser avaliado.

Outros efeitos possíveis

Com os métodos hormonais, algumas mulheres relatam acne, sensibilidade nas mamas, dor de cabeça ou alterações de humor. Isso varia muito de pessoa para pessoa. O DIU de cobre não tem esses efeitos ligados a hormônio.

Colocação, retirada e desconforto

DIU: a colocação é feita em consultório ou ambiente adequado, com espéculo, passando o dispositivo pelo colo do útero. Muitas mulheres sentem cólica na hora e nas horas seguintes, e a intensidade varia. Há formas de reduzir o desconforto, como analgésicos antes do procedimento e, em alguns casos, anestesia local. Após a colocação, costuma ser feito um controle para confirmar a posição. O passo a passo está descrito no texto sobre colocação do DIU. A retirada costuma ser rápida, puxando os fios.

Implante: a colocação é feita no braço, com anestesia local, em poucos minutos, sem exame ginecológico. Pode ficar um pequeno hematoma no local. A retirada exige um pequeno corte, também com anestesia local.

Riscos raros incluem, no caso do DIU, expulsão do dispositivo e perfuração do útero durante a colocação. No implante, pode haver dificuldade de retirada se ele ficar mais profundo. A avaliação prévia e a técnica correta reduzem esses riscos.

Perfil de quem se adapta melhor a cada um

Não existe um método melhor para todas. Alguns perfis ajudam a orientar a conversa:

  • Quer evitar hormônio ou tem contraindicação a ele: o DIU de cobre costuma ser considerado primeiro.
  • Tem menstruação intensa ou cólicas fortes: o DIU hormonal pode ajudar a reduzir o fluxo, e às vezes é indicado também por esse motivo.
  • Não quer passar por exame ginecológico ou colocação pelo colo: o implante é uma alternativa.
  • Se incomoda muito com sangramento imprevisível: o implante pode ser menos adequado, e isso deve ser conversado antes.
  • Tem alguma alteração no formato do útero, infecção pélvica ativa ou sangramento sem causa esclarecida: o DIU pode não ser indicado até investigar.

Nenhum desses métodos protege contra infecções sexualmente transmissíveis. O preservativo continua sendo importante em parcerias novas ou não fixas.

Quando procurar avaliação ginecológica

Agende uma consulta antes de escolher, para revisar sua saúde, seus ciclos, suas preferências e possíveis contraindicações. Depois da colocação, procure atendimento se tiver dor pélvica forte, febre, sangramento muito intenso, se não sentir mais os fios do DIU quando costumava senti-los ou se notar que o implante não está palpável no braço.

Perguntas frequentes

Quem nunca teve filhos pode usar DIU?

Sim. Ter tido filhos não é exigência para usar DIU. A médica avalia o útero e indica o modelo adequado.

O implante engorda?

Algumas mulheres relatam mudança de peso, mas ela não acontece com todas e pode ter outras causas. Converse com a médica se notar alteração.

Posso trocar do implante para o DIU, ou o contrário?

Sim. A troca pode ser feita a qualquer momento, e a médica orienta como fazer a transição sem ficar desprotegida.

Parar de menstruar com o DIU hormonal é perigoso?

Não. Com o DIU hormonal, o endométrio fica mais fino e a ausência de menstruação é um efeito esperado em parte das usuárias.

Decidir com informação

A melhor forma de escolher entre DIU e implante é olhar para a sua rotina, o seu ciclo e o que você espera do método. Se você está em Araçatuba (SP) e quer comparar as opções no seu caso, pode agendar uma consulta com a Dra. Mariana Cavalari, ginecologista, para uma avaliação individual e uma decisão compartilhada.

Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
Email