Exame clínico das mamas: o que a ginecologista avalia

O exame clínico das mamas é a avaliação feita pela ginecologista no consultório, em que ela observa e palpa as mamas, as axilas e a região acima da clavícula em busca de nódulos, retrações, alterações na pele ou no mamilo e gânglios aumentados. Ele leva poucos minutos, não dói e ajuda a decidir se é preciso pedir algum exame de imagem. Ele não substitui a mamografia nem o ultrassom quando eles estão indicados, mas complementa essas avaliações.

Médico examinando mamas de paciente em consulta.

Como é feito o exame clínico das mamas na consulta

O exame costuma fazer parte da consulta ginecológica de rotina e também é feito sempre que a paciente traz uma queixa, como dor, nódulo ou secreção. Antes dele, a médica conversa sobre a história pessoal e familiar, o uso de hormônios, a fase do ciclo menstrual e se há gestação ou amamentação.

A sequência mais comum tem três partes:

  1. Inspeção com a paciente sentada: primeiro com os braços relaxados ao lado do corpo, depois com os braços levantados e, em seguida, com as mãos apoiadas na cintura, fazendo força. Essas posições deixam mais visíveis retrações e assimetrias que não aparecem em repouso.
  2. Palpação das axilas e da região acima e abaixo da clavícula: geralmente ainda sentada, para procurar gânglios aumentados ou endurecidos.
  3. Palpação das mamas com a paciente deitada: com o braço do lado examinado elevado atrás da cabeça, o que espalha o tecido mamário e facilita a avaliação. A médica percorre toda a mama, incluindo a parte que se estende em direção à axila.

Tudo é feito com explicação a cada etapa. Se algo causar desconforto, avise. Você também pode pedir a presença de um acompanhante durante o exame.

O que a médica observa e palpa

Na inspeção, a atenção vai para sinais visíveis:

  • diferença de tamanho ou de forma entre as mamas que tenha surgido recentemente;
  • retração (afundamento) da pele ou do mamilo;
  • pele com aspecto de casca de laranja, vermelhidão persistente ou espessamento;
  • feridas, crostas ou descamação no mamilo e na aréola;
  • veias muito aparentes de um só lado.

Na palpação, a médica procura:

  • nódulos: descrevendo tamanho, consistência (macio, elástico ou endurecido), se ele se move ou está aderido e se dói ao toque;
  • áreas de espessamento diferentes do restante da mama ou da mama do outro lado;
  • gânglios nas axilas e na região da clavícula;
  • secreção pelo mamilo que saia espontaneamente, observando a cor e se vem de um ou dos dois lados.

Vale saber que a mama normal tem textura irregular, principalmente na fase antes da menstruação, e muitas mulheres têm áreas mais granulosas que não representam doença. Parte do trabalho no exame é justamente diferenciar o que é o padrão daquela mama do que é uma alteração nova.

Diferença entre exame clínico, autoexame e mamografia

As três avaliações têm papéis diferentes e uma não substitui a outra.

Autoexame ou autoconhecimento das mamas

É a observação e a palpação feitas pela própria mulher, no banho ou em frente ao espelho. Hoje, entidades como o Ministério da Saúde preferem falar em autoconhecimento: conhecer como são as suas mamas para perceber mudanças e procurar a médica, sem a obrigação de seguir uma técnica rígida todo mês. O autoexame não é considerado um método de rastreamento do câncer, porque não detecta lesões pequenas, mas ajuda a mulher a notar alterações entre uma consulta e outra.

Exame clínico

É feito por profissional treinado, com técnica padronizada. Consegue identificar alterações palpáveis e sinais na pele e no mamilo, avaliar gânglios e orientar qual exame pedir. Assim como o autoexame, tem limite: lesões muito pequenas ou profundas podem não ser sentidas ao toque.

Mamografia

É o exame de imagem usado para rastreamento do câncer de mama em mulheres sem sintomas, porque consegue mostrar alterações antes de elas serem palpáveis, como pequenas calcificações. A idade de início e a frequência variam entre as recomendações do Ministério da Saúde e das sociedades médicas brasileiras, e o histórico familiar pode mudar esse plano. Para entender essas diferenças, veja quando fazer a mamografia.

Alterações que levam a pedir exames de imagem

Quando o exame clínico encontra algo diferente, o passo seguinte costuma ser um exame de imagem. A escolha depende da idade, do tipo de alteração e da história da paciente:

  • Ultrassom das mamas: muito usado em mulheres mais jovens, cujas mamas costumam ser mais densas, e para diferenciar um nódulo sólido de um cisto com líquido.
  • Mamografia diagnóstica: quando há uma alteração a esclarecer, em qualquer idade em que ela seja indicada.
  • Ressonância magnética: em situações específicas, como alto risco familiar ou dúvidas que os outros exames não resolveram.
  • Biópsia: quando a imagem mostra uma lesão que precisa ser analisada no microscópio.

Alguns achados levam a pedir exame com mais rapidez, como nódulo endurecido e fixo, retração recente da pele ou do mamilo, secreção com sangue saindo de um só ducto, gânglio endurecido na axila ou vermelhidão persistente que não melhora. A maior parte dos nódulos investigados se mostra benigna, como cistos e fibroadenomas, mas a confirmação só vem com a investigação.

O resultado dos exames de imagem costuma vir com uma classificação chamada BI-RADS, que indica o grau de suspeita e orienta a conduta, que pode ir de rotina normal a controle em menos tempo ou biópsia. Os exames que entram em cada fase da vida também aparecem no check-list de exames femininos.

Quando procurar avaliação sem esperar a consulta de rotina

Marque uma consulta se perceber:

  • caroço novo na mama ou na axila que não desaparece depois da menstruação;
  • mudança no formato ou no tamanho de uma das mamas;
  • pele repuxada, com aspecto de casca de laranja ou vermelhidão que não passa;
  • mamilo que passou a ficar para dentro;
  • secreção espontânea pelo mamilo, principalmente transparente ou com sangue;
  • ferida no mamilo que não cicatriza.

Dor isolada na mama, especialmente se acompanha o ciclo menstrual, costuma ter causa benigna, mas também pode ser avaliada, principalmente se for localizada em um ponto e persistente.

Perguntas frequentes

Existe uma fase do ciclo mais adequada para o exame?

De preferência, alguns dias depois do fim da menstruação, quando as mamas estão menos inchadas e sensíveis. Isso não impede o exame em outras fases quando há uma queixa.

Mulheres jovens também precisam do exame clínico?

Sim, ele costuma fazer parte da consulta ginecológica em todas as idades, com frequência e foco ajustados ao histórico de cada paciente.

Quem tem prótese de silicone pode fazer o exame?

Pode. A médica avalia o tecido ao redor da prótese e observa sinais como endurecimento, mudança de forma ou dor. Exames de imagem podem precisar de técnicas próprias.

Se o exame clínico for normal, posso pular a mamografia?

Não. O exame normal não exclui lesões pequenas que só a imagem detecta. Quando a mamografia está indicada para a sua idade ou risco, ela continua necessária.

Cuidado contínuo com as mamas

O exame clínico é simples, mas ganha valor quando é repetido ao longo dos anos, junto com o autoconhecimento e os exames de imagem no momento certo. Se você está com a consulta de rotina atrasada ou notou alguma mudança, a Dra. Mariana Cavalari, ginecologista em Araçatuba (SP), pode fazer essa avaliação. Agende pela página de contato.

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