Quanto engordar na gravidez: ganho de peso conforme o IMC

Quanto engordar na gravidez depende principalmente do seu IMC antes de engravidar: quem começa a gestação abaixo do peso costuma ter uma meta de ganho maior, e quem começa com sobrepeso ou obesidade, uma meta menor. Além do total, importa o ritmo: no primeiro trimestre o ganho costuma ser pequeno, e a maior parte vem no segundo e no terceiro. A faixa ideal para você é definida no pré-natal, olhando o seu caso.

Mulher grávida sorrindo, segurando a barriga em ambiente acolhedor.

Por que o ganho de peso esperado depende do IMC antes da gravidez

O IMC (índice de massa corporal) é calculado dividindo o peso, em quilos, pela altura ao quadrado, em metros. Na gestação, o que conta é o IMC de partida, ou seja, o peso que você tinha antes de engravidar ou o registrado na primeira consulta de pré-natal, se ela for bem no início.

A lógica é simples: o corpo precisa de reservas para sustentar o bebê, a placenta, o líquido amniótico, o aumento do volume de sangue, o crescimento do útero e das mamas e uma pequena reserva de gordura para a amamentação. Quem começa com pouca reserva precisa ganhar mais. Quem já tem reserva maior precisa ganhar menos para chegar ao mesmo ponto de segurança.

Uma referência internacional muito usada, publicada pelo Institute of Medicine dos Estados Unidos, propõe as seguintes faixas para gestação de um único bebê:

IMC antes da gravidez Ganho total sugerido Ritmo aproximado no 2º e 3º trimestres
Baixo peso (abaixo de 18,5) 12,5 a 18 kg cerca de 0,5 kg por semana
Peso adequado (18,5 a 24,9) 11,5 a 16 kg cerca de 0,4 kg por semana
Sobrepeso (25 a 29,9) 7 a 11,5 kg cerca de 0,3 kg por semana
Obesidade (30 ou mais) 5 a 9 kg cerca de 0,2 kg por semana

No Brasil, a Caderneta da Gestante do Ministério da Saúde passou a trazer curvas de ganho de peso construídas com dados de gestantes brasileiras, com faixas um pouco diferentes dessas. Por isso, use a tabela como orientação geral e siga a referência que a sua médica adotar no pré-natal. Gestações de gêmeos têm metas próprias, que também são definidas na consulta.

Ritmo de ganho em cada trimestre

O ganho de peso não é linear ao longo dos nove meses. Saber o que esperar em cada fase ajuda a não se assustar com a balança e também a perceber quando algo foge do padrão.

Primeiro trimestre

Nas primeiras semanas, o bebê ainda é muito pequeno e o ganho costuma ser discreto, geralmente de poucos quilos ou nenhum. Muitas gestantes têm enjoo e vômitos nessa fase e chegam a perder um pouco de peso, o que costuma ser tolerado quando é leve e passageiro. Vômitos frequentes, que impedem de se alimentar ou de beber líquidos, precisam de avaliação.

Segundo trimestre

Com o enjoo melhorando e o apetite voltando, o ganho tende a ficar mais regular. É a fase em que o volume de sangue aumenta bastante, o útero cresce e o bebê começa a ganhar peso de forma mais visível nos exames.

Terceiro trimestre

O bebê ganha boa parte do peso final nas últimas semanas. É comum também a retenção de líquido, com pés e tornozelos inchados no fim do dia. Um ganho muito rápido de uma semana para outra, principalmente se vier com inchaço no rosto e nas mãos, merece atenção, porque pode estar ligado a alterações de pressão.

Na prática, mais importante do que acertar o número de cada semana é observar a tendência ao longo das consultas. Por isso o peso é registrado em todo atendimento do pré-natal.

Riscos de ganhar peso demais ou de menos

Ficar fora da faixa esperada não significa que algo vai dar errado, mas aumenta a chance de algumas complicações. É por isso que o assunto é acompanhado de perto.

Quando o ganho fica acima do esperado, aumenta o risco de:

  • diabetes gestacional e pressão alta na gravidez;
  • bebê grande para a idade gestacional, o que pode dificultar o parto;
  • maior chance de cesárea;
  • dificuldade de voltar ao peso anterior depois do parto, o que pesa nas próximas gestações.

Se você tem fatores de risco para alteração da glicose, vale entender como funciona o acompanhamento do diabetes gestacional, já que o ganho de peso e a glicemia costumam ser avaliados juntos.

Quando o ganho fica abaixo do esperado, aumenta o risco de:

  • bebê com baixo peso ao nascer;
  • restrição de crescimento fetal;
  • parto prematuro;
  • deficiências nutricionais da mãe, como anemia.

Em gestações que já começam com alguma condição de saúde, como hipertensão, diabetes prévio ou obesidade importante, o controle costuma ser mais detalhado. Nesses casos, entenda como funciona o pré-natal de alto risco e por que ele envolve consultas e exames mais frequentes.

Alimentação e atividade física com segurança na gestação

A ideia de “comer por dois” não vale para a gestação. A necessidade de energia aumenta pouco no primeiro trimestre e um pouco mais nos seguintes, mas o que muda de verdade é a necessidade de nutrientes, como ferro, ácido fólico, cálcio, iodo e proteínas.

Algumas orientações gerais que costumam ajudar:

  • Base de comida de verdade: arroz, feijão, legumes, verduras, frutas, ovos, carnes, peixes bem cozidos e laticínios pasteurizados.
  • Menos ultraprocessados: biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e embutidos somam calorias e pouco nutriente.
  • Fracionar as refeições: comer em intervalos regulares ajuda no enjoo do início e na azia do fim da gestação.
  • Hidratação: beber água ao longo do dia, ajustando para o calor e a atividade física.
  • Nada de dieta restritiva por conta própria: cortar grupos inteiros de alimentos ou fazer jejum prolongado na gravidez só deve acontecer com orientação profissional.

Sobre exercício, a recomendação de entidades como a Organização Mundial da Saúde é que gestantes sem contraindicação se mantenham ativas, com atividades de intensidade moderada, como caminhada, hidroginástica, pilates e musculação adaptada. Quem já treinava antes geralmente pode continuar, com ajustes. Quem era sedentária pode começar devagar. Atividades com risco de queda ou de impacto no abdome devem ser evitadas.

Antes de iniciar ou manter um treino, converse com a sua médica: algumas situações, como sangramento, placenta baixa, risco de parto prematuro ou pressão alta, mudam a orientação. Os exames do pré-natal ajudam a identificar esses pontos.

Quando procurar avaliação

Leve a questão do peso para a próxima consulta se você perceber que o ganho está muito diferente da faixa combinada, para mais ou para menos, por algumas semanas seguidas. Procure atendimento antes da data marcada se notar:

  • aumento rápido de peso em poucos dias, com inchaço no rosto e nas mãos;
  • dor de cabeça forte, visão embaçada ou dor no alto da barriga;
  • vômitos que impedem de comer ou beber;
  • perda de peso no segundo ou no terceiro trimestre;
  • redução dos movimentos do bebê, nas fases em que eles já são percebidos.

Perguntas frequentes

Tenho obesidade. Posso emagrecer durante a gravidez?

Em geral, a gestação não é o momento de buscar perda de peso. O objetivo costuma ser um ganho menor e controlado. Qualquer plano diferente disso precisa ser definido e acompanhado pela equipe do pré-natal.

O peso que eu ganhei vai embora logo depois do parto?

Parte dele sai no parto e nas primeiras semanas, com a eliminação de líquidos e a volta do útero ao tamanho normal. O restante tende a diminuir aos poucos, e a amamentação, a alimentação e a atividade física ajudam nesse processo.

Engordei muito no começo. Ainda dá para ajustar?

Sim. O acompanhamento serve justamente para corrigir a rota. Com ajustes na alimentação e na atividade física, é possível reduzir o ritmo de ganho nas semanas seguintes, sempre com orientação.

Preciso me pesar em casa toda semana?

Não é obrigatório. O peso medido nas consultas costuma ser suficiente. Se você preferir acompanhar em casa, use sempre a mesma balança, no mesmo horário e com roupas parecidas, e evite tirar conclusões de uma única pesagem.

Acompanhamento no pré-natal

O ganho de peso é um dos indicadores que ajudam a entender como a gestação está evoluindo, mas ele sempre é lido junto com a pressão, os exames e o crescimento do bebê. Se você está grávida ou planejando engravidar em Araçatuba (SP) e quer um acompanhamento que considere o seu ponto de partida, a Dra. Mariana Cavalari, ginecologista, pode avaliar o seu caso. Entre em contato para agendar uma consulta.

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