O diagnóstico de SOP (síndrome dos ovários policísticos) é clínico e, em adultas, costuma exigir pelo menos dois de três critérios: ciclos irregulares ou ausência de ovulação, sinais de excesso de hormônios androgênicos (no corpo ou nos exames) e ovários com aspecto policístico no ultrassom ou hormônio antimülleriano elevado. Além disso, é preciso descartar outras doenças que causam sintomas parecidos. Ter microcistos no ultrassom, sozinho, não confirma a síndrome.

Critérios usados para diagnosticar a SOP
A forma mais usada para diagnosticar a SOP é conhecida como critérios de Rotterdam, adotados também pela diretriz internacional sobre o tema, apoiada por sociedades médicas de vários países. Eles consideram três pontos:
- Disfunção ovulatória: ciclos irregulares, muito longos, ausência de menstruação por meses ou ciclos aparentemente regulares em que não ocorre ovulação.
- Hiperandrogenismo: pode ser clínico, com acne persistente, aumento de pelos em áreas típicas masculinas (buço, queixo, abdome, coxas) ou queda de cabelo com padrão de rarefação no topo da cabeça, ou laboratorial, com testosterona elevada no sangue.
- Morfologia ovariana policística: ultrassom mostrando número aumentado de folículos em pelo menos um ovário ou ovário com volume aumentado. Em adultas, a diretriz mais recente aceita o hormônio antimülleriano elevado como alternativa ao ultrassom.
Para o diagnóstico, bastam dois desses três critérios, desde que outras causas tenham sido descartadas. Isso significa que existem mulheres com SOP que não têm ovários policísticos no ultrassom, e mulheres com ovários de aspecto policístico que não têm SOP.
Na adolescência, o critério é diferente
Nos primeiros anos depois da primeira menstruação, é normal o ciclo ser irregular e os ovários terem muitos folículos. Por isso, nessa fase o ultrassom não é usado para diagnosticar SOP. É preciso haver ciclo irregular persistente para a idade e sinais de hiperandrogenismo. Quando o quadro é sugestivo, mas não fecha os critérios, a adolescente pode ser considerada em risco e reavaliada depois.
Exames de sangue e de imagem que entram na investigação
Não existe um exame único que confirme a SOP. A médica junta a história clínica, o exame físico e alguns exames para chegar ao diagnóstico. Entre os mais pedidos estão:
- Testosterona total e, em alguns casos, testosterona livre calculada e SHBG (proteína que transporta os hormônios sexuais).
- DHEA-S, um androgênio produzido pelas glândulas suprarrenais.
- 17-hidroxiprogesterona, para afastar uma forma de alteração da suprarrenal que imita a SOP.
- TSH, para avaliar a tireoide.
- Prolactina, hormônio que, quando alto, também desregula o ciclo.
- FSH, LH e estradiol, que ajudam a diferenciar outras causas de falta de menstruação.
- Beta-hCG, quando há atraso menstrual, para afastar gestação.
- Hormônio antimülleriano, em situações selecionadas.
O momento da coleta importa. Alguns hormônios devem ser dosados em fases específicas do ciclo, e o uso de anticoncepcional hormonal altera vários resultados. Se você usa pílula, adesivo, anel ou DIU hormonal, informe a médica, porque às vezes é preciso pausar o método por um tempo antes de colher os exames, sempre com orientação e outro método contraceptivo no período.
Depois do diagnóstico, também é comum pedir exames metabólicos, como glicemia, curva glicêmica e perfil de colesterol, porque a SOP aumenta o risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2 e alterações de gordura no sangue.
O exame de imagem mais usado é o ultrassom transvaginal, que mostra melhor os folículos. Em mulheres que nunca tiveram relação sexual, o ultrassom pode ser feito por via abdominal, com menos detalhe.
Ovário com microcistos no ultrassom não é sinônimo de SOP
Esse é um dos pontos que mais geram confusão. Os chamados “microcistos” do laudo são, na verdade, folículos: pequenas bolsas com líquido que contêm os óvulos em desenvolvimento. Todo ovário saudável tem folículos, e a quantidade varia com a idade e a fase do ciclo.
O critério de morfologia policística usa um número alto de folículos por ovário, contado em aparelho de boa resolução, ou o volume do ovário aumentado. Mesmo quando esse critério está presente, ele sozinho não basta: sem ciclo irregular ou sem sinais de excesso de androgênios, a mulher não tem diagnóstico de SOP. Isso é comum, por exemplo, em mulheres jovens com ovários naturalmente ricos em folículos.
O contrário também acontece: uma mulher com ciclos irregulares e sinais de hiperandrogenismo pode ter SOP com ultrassom normal. Por isso, não vale tirar conclusões apenas lendo o laudo.
Outras condições que precisam ser descartadas
A SOP é um diagnóstico de exclusão. Antes de confirmá-la, a médica precisa afastar doenças que causam sintomas parecidos, como:
- alterações da tireoide, tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo;
- prolactina alta, por medicamentos, alterações na hipófise ou outras causas;
- hiperplasia adrenal congênita não clássica, uma alteração hereditária da suprarrenal;
- síndrome de Cushing, por excesso de cortisol;
- tumores que produzem androgênios, raros, suspeitados quando os sinais masculinizantes surgem rápido e de forma intensa;
- alterações hipotalâmicas, como as causadas por perda de peso importante, estresse intenso ou excesso de exercício;
- insuficiência ovariana prematura, quando os ovários param de funcionar antes do esperado.
Se a sua principal queixa é o ciclo desregulado, vale ler sobre as causas da menstruação irregular, que vão além da SOP. Alterações hormonais da segunda fase do ciclo, como a progesterona baixa, também podem fazer parte da investigação.
Quando procurar avaliação
Procure a ginecologista se você tem ciclos com intervalos muito longos ou imprevisíveis, fica meses sem menstruar fora da gestação e sem estar usando anticoncepcional, tem acne que não melhora com os cuidados habituais, aumento de pelos em áreas típicas masculinas, queda de cabelo no topo da cabeça ou dificuldade para engravidar. Um diagnóstico bem feito evita tanto rotular como SOP o que não é quanto deixar passar uma condição que precisa de cuidado.
Perguntas frequentes
Dá para diagnosticar SOP tomando anticoncepcional?
Fica mais difícil, porque o anticoncepcional regula o sangramento e altera os hormônios. Em alguns casos, a médica pede uma pausa no método antes de investigar. Nunca suspenda por conta própria sem combinar outra forma de contracepção.
Preciso ter todos os sintomas para ter SOP?
Não. Bastam dois dos três critérios, com outras causas descartadas. Por isso, a síndrome pode se manifestar de formas bem diferentes entre as mulheres.
SOP aparece em mulheres magras?
Sim. Ela é mais frequente em quem tem excesso de peso, mas pode ocorrer em qualquer peso, inclusive com resistência à insulina.
Um único exame alterado confirma a síndrome?
Não. Nenhum exame isolado confirma a SOP. O diagnóstico junta a história clínica, o exame físico e os resultados, depois de afastar outras doenças.
Investigação com a ginecologista
Entender se você tem ou não SOP é o primeiro passo para cuidar do ciclo, da pele, do metabolismo e da fertilidade de forma adequada. A Dra. Mariana Cavalari, ginecologista com atuação em ginecologia integrativa e terapias hormonais, atende em Araçatuba (SP) e pode conduzir essa investigação. Agende sua consulta pela página de contato.