Menopausa cirúrgica é a parada definitiva da produção hormonal dos ovários causada pela retirada dos dois ovários em uma cirurgia (ooforectomia bilateral). Como a queda de estrogênio acontece de um dia para o outro, e não ao longo de anos, os sintomas costumam aparecer logo após a operação e tendem a ser mais intensos do que na menopausa natural. Por isso, o acompanhamento ginecológico deve começar antes da cirurgia e continuar de forma regular depois dela.

O que é menopausa cirúrgica
Os ovários produzem estrogênio, progesterona e uma parte da testosterona da mulher. Quando os dois são retirados, essa produção termina de imediato, e a mulher passa a ter, do ponto de vista hormonal, as mesmas condições de uma mulher na pós-menopausa, independentemente da idade.
A retirada dos ovários pode ser necessária em situações como tumores ovarianos, endometriose extensa, abscessos, torções que comprometem o órgão ou para reduzir o risco de câncer em mulheres com mutações genéticas de alto risco, como as dos genes BRCA1 e BRCA2. Em alguns casos, ela é feita junto com a retirada do útero (histerectomia).
Um ponto que gera confusão: retirar apenas o útero não provoca menopausa cirúrgica. Se os ovários forem preservados, eles continuam funcionando, embora a menstruação deixe de existir. Nesses casos, a menopausa ocorre de forma natural, às vezes um pouco antes do que ocorreria sem a cirurgia. Também é diferente quando apenas um ovário é retirado: o outro geralmente mantém a produção hormonal.
Diferença para a menopausa natural
Na menopausa natural existe uma fase de transição, a perimenopausa, que pode durar alguns anos. Os ovários vão reduzindo a função aos poucos, os ciclos ficam irregulares e o corpo tem tempo para se adaptar. Mesmo assim, muitas mulheres sentem bastante esse período.
Na menopausa cirúrgica não existe essa transição. A queda hormonal é abrupta, e isso explica por que os fogachos, a insônia e as alterações de humor podem surgir já nos primeiros dias após a cirurgia. Além disso, os ovários de uma mulher na pós-menopausa natural ainda produzem pequenas quantidades de androgênios por algum tempo, o que não acontece quando eles são retirados. Essa diferença pode influenciar a libido e a disposição.
Outro fator importante é a idade. Quando a cirurgia é feita antes dos 45 anos, a mulher passa mais anos sem a proteção dos hormônios ovarianos, e isso tem impacto na saúde a longo prazo. Se você quer entender melhor essa situação, vale ler sobre menopausa precoce, suas causas e as opções de tratamento, já que a menopausa cirúrgica em mulheres jovens segue cuidados parecidos.
Sintomas mais comuns após a retirada dos ovários
Os sintomas são os mesmos da menopausa natural, mas costumam começar de forma súbita e com maior intensidade. Os mais relatados são:
- Fogachos e suores noturnos, que podem ser frequentes e atrapalhar o sono.
- Insônia e sono fragmentado, muitas vezes ligados aos fogachos.
- Alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade e tristeza.
- Dificuldade de concentração e sensação de memória mais lenta.
- Ressecamento vaginal e desconforto nas relações.
- Queda da libido, que pode ser mais marcada do que na menopausa natural.
- Dores articulares e cansaço.
Nem toda mulher terá todos esses sintomas, e a intensidade varia bastante. Para comparar com o que acontece na menopausa natural e entender cada fase, veja o conteúdo sobre como reconhecer os sintomas da menopausa e aliviar o desconforto.
É importante lembrar que, logo após a cirurgia, parte do cansaço e do desânimo também está ligada à recuperação do próprio procedimento. Conversar com a médica ajuda a separar o que é efeito da cirurgia do que é efeito da falta de hormônios.
Saúde dos ossos, do coração e da vida sexual
Além dos sintomas do dia a dia, a falta de estrogênio afeta órgãos que não dão sinais imediatos. Por isso, o acompanhamento não deve se limitar ao alívio dos fogachos.
Ossos
O estrogênio ajuda a manter a massa óssea. Sem ele, a perda óssea se acelera, principalmente nos primeiros anos. Em mulheres que retiraram os ovários antes da idade habitual da menopausa, o risco de osteopenia e osteoporose é maior. A avaliação pode incluir densitometria óssea, dosagem de vitamina D e orientação sobre cálcio na alimentação, atividade física com carga e prevenção de quedas.
Coração e metabolismo
A queda hormonal precoce está associada a alterações no colesterol, na distribuição da gordura corporal e no risco cardiovascular ao longo da vida. O acompanhamento inclui controle de pressão arterial, perfil lipídico, glicemia e peso, além de incentivo a hábitos que protegem o coração, como atividade física regular e não fumar.
Vida sexual
O ressecamento vaginal, a dor na penetração e a diminuição do desejo são queixas frequentes. Elas têm tratamento e não devem ser vistas como algo inevitável. Existem opções locais, como hidratantes e estrogênio vaginal, além do tratamento hormonal sistêmico quando indicado. Em situações específicas, a médica pode discutir outras abordagens para a libido, sempre com avaliação individual.
Tratamento e acompanhamento
O ideal é que a conversa sobre a menopausa cirúrgica aconteça antes da operação, sempre que ela for programada. Assim, a mulher já sabe o que esperar e pode sair da cirurgia com um plano de cuidado.
Terapia hormonal
Para muitas mulheres que retiram os ovários antes da idade natural da menopausa e não têm contraindicação, a terapia hormonal costuma ser considerada, em geral até por volta da idade em que a menopausa natural aconteceria. O objetivo é aliviar os sintomas e reduzir os efeitos da falta precoce de hormônios nos ossos e no sistema cardiovascular. Para entender como esse tratamento funciona, quais são as formas de uso e para quem ele é indicado, leia o conteúdo sobre benefícios e indicações da reposição hormonal feminina.
O esquema depende de cada caso. Mulheres que também retiraram o útero geralmente podem usar apenas estrogênio. Quem mantém o útero precisa associar progesterona ou outro progestagênio para proteger o endométrio.
Quando a reposição exige mais cautela
Em algumas situações, a terapia hormonal pode não ser recomendada ou precisa de uma avaliação mais cuidadosa, como em mulheres com câncer de mama, alguns tipos de câncer ginecológico, histórico de trombose ou doenças do fígado. Em mulheres com mutação BRCA que fizeram a cirurgia para reduzir risco, a decisão é individualizada e costuma envolver mais de um especialista. Quando o hormônio não é uma opção, existem tratamentos não hormonais para os fogachos e cuidados específicos para ossos e saúde íntima.
Rotina de acompanhamento
Depois da cirurgia, as consultas servem para ajustar o tratamento, avaliar a resposta aos sintomas, acompanhar exames de rotina e observar efeitos colaterais. Com o tempo, o plano é revisto conforme a idade, os exames e as preferências da paciente.
Quando procurar avaliação médica
Procure a sua ginecologista se:
- você tem uma cirurgia de retirada dos ovários programada e quer se preparar;
- os sintomas após a cirurgia estão atrapalhando o sono, o trabalho ou os relacionamentos;
- você retirou os ovários antes dos 45 anos e não faz acompanhamento hormonal;
- surgiu sangramento vaginal após a menopausa, mesmo em uso de hormônio;
- a vida sexual ficou dolorosa ou o desejo mudou de forma que incomoda.
Perguntas frequentes
Quem retira o útero entra na menopausa?
Não necessariamente. Se os ovários forem preservados, a produção hormonal continua. A menstruação para, mas a menopausa acontece de forma natural no tempo de cada mulher.
Os sintomas começam logo após a cirurgia?
Na maioria das vezes, sim. Como a queda dos hormônios é imediata, os fogachos e a insônia podem aparecer nos primeiros dias ou semanas.
Toda mulher que retira os ovários precisa de reposição hormonal?
Não. A indicação depende da idade, do motivo da cirurgia, do histórico de saúde e da intensidade dos sintomas. Só a avaliação médica define a conduta.
A menopausa cirúrgica afeta a libido?
Pode afetar, porque os ovários também produzem androgênios. A queixa tem abordagem e deve ser levada à consulta.
Cuidado individual antes e depois da cirurgia
A menopausa cirúrgica é uma mudança grande, que chega de forma repentina. Com informação e acompanhamento, é possível aliviar os sintomas e cuidar da saúde a longo prazo. A Dra. Mariana Cavalari, ginecologista com atuação em menopausa e terapias hormonais, atende em Araçatuba (SP). Se você vai passar ou já passou por essa cirurgia, agende uma consulta para montar um plano de cuidado adequado ao seu caso.