A maioria das mulheres na menopausa não precisa de polivitamínico de rotina. Ele pode fazer sentido em situações específicas, como alimentação muito restrita, dificuldade de absorção ou uso de medicamentos que reduzem certos nutrientes, mas o ideal é que a decisão venha depois de uma avaliação da alimentação e de exames. Nessa fase, alguns nutrientes merecem mais atenção, e muitas vezes o que falta é um ou dois deles, não todos ao mesmo tempo.

Nutrientes que merecem atenção após a menopausa
A queda do estrogênio, o envelhecimento e mudanças no apetite e na rotina alteram a necessidade de alguns nutrientes. Os que costumam ser avaliados com mais cuidado são:
Cálcio
O cálcio é essencial para os ossos, que perdem massa de forma mais rápida nos primeiros anos após a menopausa. A preferência é obter o cálcio pela alimentação, com leite, iogurte, queijos, vegetais verde-escuros e alimentos enriquecidos. A suplementação é avaliada quando a ingestão alimentar não é suficiente.
Vitamina D
A vitamina D ajuda o intestino a absorver cálcio e participa da saúde dos músculos. A produção depende da exposição solar, e muitas pessoas têm níveis abaixo do desejado. É um dos nutrientes em que a dosagem no sangue ajuda muito a decidir se há necessidade de suplementar.
Vitamina B12
A absorção da vitamina B12 tende a diminuir com a idade. O uso prolongado de alguns medicamentos, como metformina e remédios para reduzir a acidez do estômago, também pode reduzir os níveis. A falta pode causar cansaço, formigamentos e alterações de memória.
Proteína
Não é uma vitamina, mas é um ponto central. A massa muscular tende a diminuir com o passar dos anos, e uma alimentação com proteína suficiente, junto com exercícios de força, ajuda a preservá-la. Nenhum polivitamínico substitui essa necessidade.
Ferro
Depois que a menstruação para, a necessidade de ferro geralmente diminui. Por isso, polivitamínicos com ferro, comuns em fórmulas para mulheres em idade fértil, nem sempre são adequados após a menopausa. O excesso de ferro também não é desejável.
Magnésio e ômega-3
São nutrientes bastante procurados nessa fase. O magnésio está presente em castanhas, grãos integrais e vegetais, e o ômega-3, em peixes como sardinha e salmão. A suplementação de cada um tem indicações próprias e deve ser discutida caso a caso.
Muitas mulheres associam o cansaço da menopausa à falta de vitaminas. Às vezes é isso, mas nem sempre. O artigo sobre fraqueza no corpo na menopausa explica outras causas que precisam ser consideradas.
Quando o polivitamínico pode ajudar
O polivitamínico reúne pequenas quantidades de muitas vitaminas e minerais. Ele pode ter espaço em algumas situações:
- alimentação muito restrita ou pouco variada, por falta de apetite, rotina ou preferências;
- dietas que excluem grupos de alimentos, como dietas veganas sem orientação, que exigem atenção à vitamina B12;
- cirurgia bariátrica ou doenças intestinais que reduzem a absorção, situações em que a suplementação costuma ser parte do tratamento;
- uso de medicamentos que interferem na absorção de nutrientes;
- períodos de perda de peso com restrição calórica importante.
Mesmo nesses casos, o polivitamínico comum pode não resolver. Uma deficiência importante de vitamina D ou B12, por exemplo, geralmente exige doses que um multivitamínico não oferece. Por outro lado, a mulher com alimentação equilibrada e exames normais dificilmente terá benefício com o uso de rotina.
Se o objetivo é aliviar fogachos, insônia ou alterações de humor, o polivitamínico não é o tratamento adequado. Esses sintomas têm abordagens específicas, que podem incluir terapia hormonal, opções não hormonais e mudanças de hábitos. Para ver o que se sabe sobre produtos naturais nesse contexto, leia sobre suplementos naturais usados na menopausa.
Riscos do excesso de vitaminas
Existe a ideia de que vitamina “não faz mal” e que o excesso é eliminado pelo corpo. Isso não vale para todas. Algumas vitaminas e minerais se acumulam e podem causar problemas quando usados em excesso ou somados a vários produtos ao mesmo tempo.
- Vitamina D: doses altas sem acompanhamento podem elevar o cálcio no sangue, com risco para os rins e o coração.
- Vitamina A: o excesso prolongado pode prejudicar o fígado e os ossos.
- Cálcio em suplemento: doses acima do necessário podem favorecer cálculos renais e intestino preso.
- Ferro: o excesso pode causar desconforto gastrointestinal e acúmulo no organismo.
- Vitamina B6: o uso prolongado em doses altas está associado a alterações nos nervos, como formigamentos.
Um risco comum é a soma de produtos. A mulher usa um polivitamínico, um suplemento “para cabelo e unhas”, uma cápsula de vitamina D e um colágeno enriquecido com vitaminas. Sem perceber, ultrapassa as quantidades seguras de algum nutriente. Levar todos os rótulos para a consulta ajuda a evitar esse problema.
Também há interações com medicamentos. Cálcio e ferro, por exemplo, podem reduzir a absorção da levotiroxina e de alguns antibióticos se forem tomados no mesmo horário.
Exames que orientam a suplementação
A decisão sobre suplementar deve considerar a alimentação, os sintomas, as doenças e os medicamentos em uso. Exames de sangue ajudam a confirmar deficiências e a evitar suplementação desnecessária. Conforme cada caso, a médica pode pedir:
- vitamina D (25-hidroxivitamina D);
- vitamina B12, especialmente em quem usa metformina, protetores gástricos ou tem alimentação vegetariana;
- hemograma e ferritina, para avaliar anemia e estoque de ferro;
- cálcio e função dos rins, antes de suplementar cálcio ou vitamina D em doses maiores;
- TSH, quando há cansaço, queda de cabelo ou alterações de peso;
- densitometria óssea, que não é exame de sangue, mas orienta as decisões sobre ossos.
Esses exames fazem parte de uma avaliação mais ampla das mudanças dessa fase. O artigo sobre as mudanças do corpo no climatério e na menopausa traz esse panorama.
Quando procurar avaliação médica
Procure a ginecologista se você já usa vários suplementos ao mesmo tempo, se tem cansaço persistente, formigamentos ou queda de cabelo, se fez cirurgia bariátrica, se segue uma dieta restritiva ou se usa medicamentos contínuos. Também vale conversar antes de iniciar qualquer suplemento em doses altas.
Perguntas frequentes
Toda mulher na menopausa precisa de polivitamínico?
Não. A necessidade depende da alimentação, dos exames e das condições de saúde de cada mulher.
Polivitamínico ajuda nos fogachos?
Não há evidência de que ele alivie fogachos. Esse sintoma tem tratamentos específicos.
Posso tomar polivitamínico com ferro depois da menopausa?
Em geral, a necessidade de ferro diminui após a menopausa. O uso deve ser avaliado com base nos exames.
Vitamina D e cálcio são a mesma coisa que polivitamínico?
Não. São suplementos com indicações próprias, e as doses de um polivitamínico costumam ser diferentes das usadas para corrigir deficiências.
Suplementar com critério
Na menopausa, a alimentação, a atividade física e o acompanhamento médico vêm antes da cápsula. Quando a suplementação é necessária, ela funciona melhor se for direcionada ao que realmente falta. A Dra. Mariana Cavalari, ginecologista com atuação em ginecologia integrativa e menopausa, atende em Araçatuba (SP). Para revisar seus exames e suplementos, agende uma consulta.